Depressão não é tristeza prolongada: é um quadro médico em que humor deprimido ou perda de interesse persistem por pelo menos duas semanas e vêm acompanhados de alterações de sono, apetite, energia, concentração e autoavaliação. O tratamento combina medicação e psicoterapia, e a resposta costuma levar de quatro a seis semanas. É um dos quadros psiquiátricos com melhor prognóstico quando tratado corretamente.
Tristeza tem objeto e tem curso: vem de alguma coisa, oscila ao longo do dia, e cede com o tempo e com o apoio de quem está perto. Depressão é diferente em três aspectos — a duração, a abrangência e a perda da capacidade de sentir prazer.
O sintoma que melhor separa os dois quadros é a anedonia: a perda de interesse ou de prazer por coisas que antes eram boas. Quem está triste ainda se distrai, ainda ri de uma piada, ainda quer ver um amigo. Na depressão, isso se apaga — e o paciente costuma descrever como anestesia ou vazio, mais do que como dor.
Há ainda um sinal que passa despercebido: em muitos casos, principalmente em homens e em adolescentes, a depressão se apresenta como irritabilidade, não como tristeza.
Se há pensamentos de morte ou de autoagressão, a avaliação psiquiátrica é urgente e não deve esperar por agenda. O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e por chat em cvv.org.br. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192.
A regra prática: duas semanas de sintomas com prejuízo no trabalho, nos estudos ou nas relações já justificam avaliação. Não é necessário esperar chegar ao fundo.
Há situações em que a procura deve ser imediata: presença de pensamentos de morte, incapacidade de sair da cama ou de trabalhar, emagrecimento rápido, depressão após o parto, e quadros que pioraram depois do início de uma medicação.
O diagnóstico é clínico e depende de entrevista cuidadosa. Duas verificações são obrigatórias e frequentemente negligenciadas.
A primeira é excluir causas clínicas. Hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina B12 e de vitamina D, diabetes descompensado, apneia do sono e efeitos adversos de medicações em uso produzem quadros que preenchem todos os critérios de depressão. Investigar isso antes de prescrever antidepressivo é parte do procedimento, não excesso de zelo.
A segunda é investigar história de mania ou hipomania. Se em algum momento da vida houve um período de energia elevada, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, gastos impulsivos ou grandiosidade, o diagnóstico pode ser transtorno afetivo bipolar em fase depressiva — e nesse caso o antidepressivo isolado pode desestabilizar o quadro. Essa pergunta precisa ser feita em toda avaliação de depressão.
A combinação de medicação com psicoterapia tem resultado superior a qualquer uma das duas isoladamente em quadros moderados a graves. Em quadros leves, a psicoterapia isolada pode ser suficiente.
Os antidepressivos disponíveis hoje pertencem a várias classes, com perfis diferentes de efeito e de tolerabilidade. A escolha leva em conta o padrão de sintomas — insônia ou sonolência, ganho ou perda de peso, presença de dor, prejuízo de libido —, o histórico de resposta a tratamentos anteriores, as outras medicações em uso e as condições clínicas associadas.
A resposta leva tempo. As primeiras duas semanas costumam trazer melhora do sono e do apetite; o humor responde depois, entre a quarta e a sexta semana. Efeitos adversos, quando aparecem, tendem a surgir antes do benefício — o que torna esse período o mais crítico para a adesão.
Quando dois tratamentos adequados não produzem resposta, o quadro é classificado como depressão resistente e a conduta muda: revisão do diagnóstico, checagem de adesão, investigação de causa clínica não identificada, potencialização com outra medicação ou troca de classe. Em casos selecionados, o estudo farmacogenético ajuda a entender por que determinadas medicações não funcionaram.
Quem procura um psiquiatra especialista em depressão costuma já ter passado por consultas que não resolveram, ou chega depois de meses tentando lidar sozinho. O Dr. Reinaldo Segre é médico psiquiatra com mais de 40 anos de prática clínica e mais de 700 mil consultas realizadas, e transtorno depressivo é uma das onze linhas que atende regularmente.
Não existe título de "especialista em depressão" no Conselho Federal de Medicina — a especialidade registrada é Psiquiatria, e é ela que habilita o diagnóstico e o tratamento deste quadro. O que muda entre profissionais é a experiência clínica acumulada com a condição. Vale desconfiar de quem se anuncia como especialista em um transtorno específico sem registro de especialista em psiquiatria: o RQE é público e pode ser conferido no portal do CFM.
O Dr. Segre atende presencialmente na Vila Andrade, em São Paulo, e em Alphaville, em Barueri, além de teleconsulta por videochamada para pacientes de todo o Brasil.
A primeira consulta é mais longa que um retorno, porque é nela que se constrói o diagnóstico. O Dr. Segre ouve a história completa — quando os sintomas começaram, o que mudou desde então, o que já foi tentado, que remédios você usa hoje, como está o sono, o apetite, o trabalho e as relações. Exames anteriores, receitas e relatórios de outros profissionais ajudam e devem ser levados.
O atendimento acontece presencialmente nos consultórios da Vila Andrade, em São Paulo, e de Alphaville, em Barueri, ou por teleconsulta em videochamada, para pacientes de qualquer lugar do Brasil. O consultório atende de segunda a sexta, das 8h às 17h.
O atendimento é particular, a partir dos 14 anos. É emitido recibo e nota fiscal para solicitação de reembolso junto ao convênio.
Três critérios ajudam a separar: duração (duas semanas ou mais de sintomas quase diários), abrangência (afeta sono, apetite, energia e concentração, não só o humor) e anedonia (perda de prazer em coisas que antes eram boas). Tristeza oscila e responde a acontecimentos bons; depressão é constante e não cede com distração ou apoio. O prejuízo no trabalho e nas relações é o sinal prático mais confiável.
Não. O objetivo do tratamento é devolver a pessoa ao funcionamento que ela tinha antes do episódio. A sensação de embotamento emocional, quando aparece, é efeito adverso dose-dependente e sinaliza necessidade de ajuste — não é resultado esperado. Se você se sente anestesiado ou 'diferente de si', isso deve ser relatado ao médico, porque é corrigível.
Na maioria dos casos, não. Após um primeiro episódio, a recomendação usual é manter a medicação por seis a doze meses depois da remissão completa, e então reduzir de forma gradual. Episódios recorrentes ou quadros graves podem indicar tratamento de manutenção mais longo. É uma decisão clínica, revisada periodicamente, não uma sentença definida na primeira consulta.
Não por conta própria. Sentir-se bem é justamente o sinal de que o tratamento está funcionando, e a interrupção nesse momento é a principal causa de recaída. Além disso, a suspensão abrupta produz sintomas de descontinuação — tontura, sensação de choque, irritabilidade, sintomas gripais — que são frequentemente confundidos com o retorno da doença. A retirada é sempre gradual e conduzida pelo médico.
Pode, e por isso a investigação clínica faz parte da avaliação. Hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina B12 e D, apneia do sono, diabetes descompensado e efeitos adversos de medicações em uso produzem quadros indistinguíveis de depressão. Tratar o quadro psiquiátrico sem excluir essas causas é tratar o sintoma e deixar a origem intacta.
Leve a sério, não deixe a pessoa sozinha e procure avaliação imediata — pronto-socorro psiquiátrico ou serviço de emergência pelo 192. Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas não induz o comportamento; ao contrário, abre espaço para ajuda. O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia, e por chat em cvv.org.br. Remova acesso a meios de risco, incluindo medicações e armas.